Horizontes antropolgicos chamada

 

    A Revista Horizontes Antropológicos - revista semestral publicada pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAS/UFRGS) - lançou a chamada para submissão de artigos para compor o n. 53, cuja temática será "Antropologia dos Museus". Este número será lançado em janeiro de 2019. O período de submissão se estende de 01/10/2017 a 31/01/2018.

 

Confira o texto divulgado pela revista:

    "Dos 'museus etnográficos' às etnografias dos museus no contemporâneo, a contribuição da Antropologia na relação com o campo dos museus é significativa. A Antropologia manteve desde seus primórdios forte relação com o campo dos museus. Seja como área de conhecimento no contexto das instituições museais de cunho enciclopédico, seja criando instituições museais articuladas com a prática etnográfica; seja construindo um olhar particular sobre as instituições museais no contemporâneo. Cada um destes movimentos, expressa um certo tipo de inserção do antropólogo nas práticas da disciplina, bem como revela momentos singulares no cruzamento da História da Antropologia e da História dos Museus. Num primeiro movimento, temos uma vertente evolucionista e positivista da Antropologia, onde a coleta de objetos e sua conservação nos museus expressavam a constituição de acervos documentais de confiabilidade para as pesquisas; num segundo movimento, temos a criação e institucionalização dos chamados 'museus etnográficos' - consagrados modelos que associavam o estudo das particularidades culturais à preservação de objetos coletados durante a pesquisa de campo. Num terceiro movimento, os antropólogos passaram a se interessar por etnografar os museus como sintomas de práticas sociais e espaços de poder conjugados a regimes de valor que convertem artefatos em bens consagrados (lógicas colecionistas); expressões culturais e modos de fazer em 'bens patrimoniais'; rituais em performances públicas; pessoas em 'representantes' e 'porta-vozes' de etnias e comunidades. O Dossiê 'Antropologia dos Museus' visa reunir trabalhos sobre este campo de pesquisas e reflexões, abrindo espaço para relatos de experiências sobre a prática profissional do Antropólogo na interface com museus, seja articulados a práticas específicas dos 'museus etnográficos', seja realizando 'etnografias de museus no contemporâneo'. O Dossiê pretende ainda abrir uma reflexão sobre a especificidade do 'museu etnográfico' e as novas modalidades de museus na perspectiva antropológica como os 'museus indígenas', os 'museus sociais', os 'eco-museus'."

 

Veja as diretrizes para submissões e outras informações no site da revista: http://seer.ufrgs.br/index.php/horizontesantropologicos/about/submissions

 

 

Encontro Kitembo

 

Nos dias 09 e 10 de novembro, acontecerá o III Encontro Kitembo de Subjetividade e Cultura Afro-brasileira, que neste ano traz o tema "Povos Afro-indígenas, saberes tradicionais e pesquisa em diálogo com a universidade". O evento acontecerá no Auditório do Bloco P, no Campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF). Não há necessidade de inscrições prévias: as mesmas serão feitas no primeiro dia do evento.

 

Confira a apresentação do evento divulgada pela organizadores:


"A construção do campo científico em nosso país se deu através da importação dos saberes científicos europeus e norte-americanos e da deslegitimação e extermínio dos saberes tradicionais a saber: de matrizes indígena e africana. As marcas do encontro colonial se reproduzem ainda hoje nas práticas de ensino, pesquisa e extensão, nas quais os saberes populares são tomados com subalternos, desqualificados e objetos a serem desvendados, traduzidos e civilizados pela intervenção acadêmica.
Fora da universidade, no entanto, o repertório de práticas e saberes populares constituem campos de cuidado, acolhimento e pertencimento para significativas parcelas da população, que historicamente têm sido excluídas, ignoradas e exterminadas pela universidade e pelo Estado. Terreiros de candomblé, aldeias indígenas, quilombos, irmandades negras, capoeiras, afoxés, casas de umbanda, grupos de jongo, funk, coco, macaracatu, hip-hop, dentre outros, são exemplos de manifestações político-culturais que muitas vezes são folclorizadas nas perspectivas hegemônicas, mas que são centrais na construção dos modos de vida de seus praticantes, garantindo a preservação e transmissão de valores civilizatórios fundados nos saberes tradicionais, possibilitando a sobrevivência e a resistência das pessoas, dos grupos e das manifestações culturais.

O III Encontro Kitembo parte da aposta de nosso laboratório: não tomar os saberes populares como inferiores ou objetos de pesquisa, mas como interlocutores na construção de saberes e práticas de cuidado em psicologia que tenham como referencial não apenas as matrizes europeias e norte-americanas, mas também africanas e indígenas. Tendo como convidados lideranças indígenas, povos de terreiro, membros de grupos culturais negros povo de favela, pesquisadores acadêmicos dentre outro, pautaremos o cuidado das ervas e a metodologia de pesquisa na universidade, apostando que tais debates nos auxiliarão na construção de ferramentas de pesquisa e cuidado que sejam potentes na promoção de saúde".

 

Programação:

 

📅 09 de novembro


9h - Mesa de Abertura

Abrahão de Oliveira Santos (Coordenador do Laboratório Kitembo)

Francisco Palharini (Diretor do Instituto de Psicologia - UFF)

Luiza Oliveira (Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia/UFF)

 

9h30 - A pesquisa e os saberes tradicionais

Antônio Bispo dos Santos (Relator de saberes, Liderança quilombola, lavrador, formado por mestres e mestras de ofício, e intelectual)

Capitão Potiguara (Liderança do povo Potiguara)

Luiza Oliveira (Coordenadora do PPPG UFF)

Mediação: Abrahão de Oliveira Santos (Dep. Psicologia - PPPG UFF)

 

14h - A pesquisa na favela e a expropriação cultural

Ricardo José de Moura (Prof. Gestão Pública/UFRJ, pesquisador do CEPEDOCA e integrante do Raízes em Movimento)

Ocupa Alemão: Favela/Quilombo

Eduardo Passos (Dep. Psicologia - PPPG UFF)

 

📆 10 de novembro

 

9h - Abertura

 

9h30 - Intervenções e práticas de cuidado nos terreiros em diálogo com a Universidade

Arlene de Katendê (Mestre dos saberes de matriz africana de tradição banto)

Cecílio Santana Feitoza (Mestre, líder espiritual e político dos Xucuru do Ororubá)

Pai Roberto Braga (Mestre dos saberes de matriz africana de tradição banto)

Kátia Aguiar (Dep. Psicologia - PPPG UFF)

 

14h - A pesquisa junto aos povos indígenas

Hosana Celi Oliveira e Santos (Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Etnicidades/UFPE)

Guilherme Araújo Marinho Magalhães, conhecido como Guila Xukuru (Estudante de direito, fundador da Ororubá Filmes; membro do Coletivo da Juventude Indígena Xukuru)

Bruno Rodrigues da Silva (Estudante de Ecologia; membro da Organização de Jovens Indígenas Potiguaras)

Jhonny Alvarez (Dep. Psicologia - PPPG UFF)16h30 - Pesquisa, lideranças jovens e tradicionalidade

Estela Cardoso Pereira (Graduanda em Psicologia UFF e Voluntária da Biblioteca Comunitária do Engenho do Mato - BEM)

Cristina Rauter (Dep. Psicologia - PPPG UFF)

Maiah Lunas (Juventude de Terreiro da RENAFRO – Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras; Coletivo de Estudantes Iolanda Oliveira)

Thiago Ferreira da Cruz (MC Garcia)



Mais informações no site: https://kitembo2017.wixsite.com/kitembo2017

 

 

    No dia 9 de novembro, quinta-feira, será realizado o evento Produção acadêmica e militância política: diálogos possíveis, organizado pelo CPDA/UFRRJ e pelo grupo de pesquisa Ciência, Natureza, Informação e Saberes (CINAIS - CPDA/UFRRJ). 

 

Produo acadmica e militncia

 

Confira a chamada divulgada pelos organizadores do evento:

    "O debate visa promover uma reflexão sobre a complexa relação de troca, às vezes tensa e ambígua, que ocorre na produção do conhecimento envolvendo pesquisadores-militantes e militantes-pesquisadores. Entende-se que o conhecimento acadêmico, assim como outras formas de conhecimento, está implicado na dinâmica social-político-cultural. Do mesmo modo, toda forma de militância política é informada por conhecimentos produzidos seja pela academia seja por suas próprias práticas. Assim, cabem questões como: todo pesquisador é um agente político? Toda prática militante produz conhecimento? Como pensar a coprodução de conhecimentos? Quais as possibilidades de diálogo e de articulação entre essas práticas?"

 

Não há necessidade de inscrição prévia. O evento será transmitido ao vivo no YouTube. O link da transmissão será divulgado na página do evento no Facebook.

 

Comissão Organizadora:

Ana Carneiro (DDAS/UFRRJ) 

Carmen Andriolli (CPDA/UFRRJ) 

Maria José Carneiro (CPDA/UFRRJ)

 

 
    O Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS), do Museu Nacional/UFRJ, convida para o Simpósio Povos Indígenas Falantes de línguas Guarani: História e Etnografia Contemporâneas, que acontecerá no dia 08 de novembro de 2017, das 9h às 17h, na Sala Roberto Cardoso de Oliveira, no Museu Nacional.
 
Simpsio povos falantes guarani
 
    O Simpósio, organizado pelo Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (LACED/PPGAS/MN/UFRJ), pelo Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal da Grande Dourados (PPGH-UFGD) e pelo Centro de Investigaciones Historicas y Antropológicas (CIHA, Bolívia), tem como objetivo central refletir acerca da história e da etnografia contemporâneas dos povos indígenas falantes de línguas Guarani na Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai, recolocando, por um lado, a questão da diversidade étnica entre esses povos e, por outro, a construção pela antropologia moderna do Guarani como uma supra categoria étnica homogeneizante. 
 
    Os estudos etnográficos dos povos indígenas falantes de línguas guarani os identificam como descendentes dos povos Cários, Itatins, Carijós, Chiriguanaes, entre muitos outros. Esses povos que entraram em contato com os conquistadores europeus, a partir da primeira metade do século XVI, foram progressivamente acomodados pelos conquistadores e missionários sob a denominação genérica “Guarani”, sendo o parentesco entre as línguas faladas por esses indígenas o elemento considerado para tal homogeneização. De acordo com Graciela Chamorro, professora do PPGH-UFGD e estudiosa da história e da cultura do povo Kaiowa, esse parentesco linguístico continuou sendo assumido por pesquisadores posteriores e o caso mais emblemático talvez seja o de Alfred Métraux que, em trabalhos clássicos da década de 1920, cunhou a expressão “civilização tupi-guarani”. “Da mesma forma”, afirma Chamorro, “o livro de Egon Schaden, Aspectos Fundamentais da Cultura Guarani (1954), é uma das obras modernas que mais contribuiu para reunir e classificar as etnias guarani falantes da metade do século XX, sobretudo aquelas presentes no Brasil”. Assim, como as obras As lendas da criação e destruição do mundo como fundamentos da Religião dos Apapocúva-Guarani, de Curt Unkel Nimuendajú (1914) e Ayvu Rapyta: Textos míticos de los Mbyá-Guaraní del Guairá de León Cadogan (1959), o livro de Schaden tornou-se um clássico da literatura antropológica sobre os povos indígenas falantes de línguas guarani.
 
    No entanto, destaca Pablo Barbosa, pesquisador do LACED/MN e do CIHA: “alguns estudos recentes vêm demonstrando que, se colocada em juízo a existência de uma única ‘cultura guarani’, é necessário se perguntar, por exemplo, sobre a existência real desses “aspectos” estudados por Egon Schaden, sobre sua validez no tempo e no espaço e do quão “fundamentais” eles podem ser ou não”. Como a situação contemporânea dos povos indígenas guarani falantes há muito não corresponde à realidade descrita por Egon Schaden em Aspectos fundamentais, Barbosa entende ser fundamental retomar, discutir, atualizar e ampliar essa obra à luz de novos dados históricos, linguísticos, etnográficos. O pesquisador propõe, então, um direcionamento para os estudos de modo a oferecer à comunidade acadêmica e aos próprios povos indígenas falantes de línguas guarani, novas pesquisas: “essas pesquisas, a partir dessa perspectiva, estariam mais próximas de contemplar as diversas e complexas situações sociais, culturais, históricas, linguísticas e políticas desses povos, nos cinco países e nos diversos contextos onde vivem e viveram”.
 
Data: 08 de novembro - 9 às 17 horas

Local: Sala Roberto Cardoso de Oliveira | Museu Nacional/UFRJ
 

 

 

Os donos da terra

 

    A Universidade da Cidadania (UC), espaço voltado à formação de militantes e lideranças de organizações da sociedade civil, e o Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE/UFRJ), visando estabelecer canais de interlocução sobre temas da atualidade que afetam a vida do conjunto da sociedade brasileira, promovem o debate “Os donos da terra: regulamentações e desregulamentações fundiárias urbanas, rurais, em territórios tradicionais e na Amazônia”. O debate tem o objetivo de focar nas consequências advindas da Lei 13.465, de 11 de julho de 2017, antiga MP 759/2016 e nas alternativas possíveis. O evento conta com o apoio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU-RJ).

 

    O debate versará sobre os desafios impostos à sociedade brasileira com os desdobramentos da lei nas áreas e assentamentos rurais, territórios tradicionais, Amazônia Legal, assentamentos urbanos informais, subnormais e de áreas faveladas e avaliará os reflexos da nova lei na luta pela afirmação de direitos fundamentais, como o direito à terra urbana e rural e à moradia digna na cidade e no campo. Debatedores convidados:

 

    João Daniel
    É Deputado Federal pelo PT/SE e membro titular da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados (CDU) e liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra de Sergipe. Fará uma apresentação sobre os desdobramentos e impactos da Lei aprovada na política de reforma agrária e na região da Amazônia Legal.

 

    Rosane Tierno
    É advogada com larga experiência em regularização fundiária e dirigente do Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU). Fará uma exposição sobre os impactos na política de regularização fundiária urbana.

 

    Maria de Lurdes Lopes Fonseca
    Conhecida como Lurdinha. É uma das mais importantes e reconhecidas lideranças populares da luta pela moradia e pelo direito à cidade e membro da coordenação do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM). Fará uma exposição sobre o impacto da Lei nas lutas populares pelo direito à habitação, na política urbana e no planejamento das cidades.

 

    Após as exposições dos palestrantes haverá debate com o público presente.

    O evento é gratuito e as vagas serão limitadas em função da lotação do local.

 

Data: 30 de outubro de 2017
Horário: das 18:00 às 21:30 horas
Local: Salão Pedro Calmon, Campus da UFRJ/Praia Vermelha, na Avenida Pasteur 250, Urca.

 

 

Subcategorias

UFRJ PPGAS - Programa de Pós-graduação em Antropologia Social
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